percurso de José Mourinho nas eliminatórias da Liga dos Campeões continua a dar que falar e a alimentar debates intensos no universo do futebol europeu. Na ressaca do desaire frente ao Real Madrid (2-1), o treinador do Sport Lisboa e Benfica, apesar de estar ausente no banco de suplentes, não evitou mais um capítulo numa estatística que já começa a pesar no seu currículo recente na prova milionária.
A derrota no Santiago Bernabéu não foi apenas mais uma eliminação europeia. Representou, acima de tudo, o atingir de uma marca simbólica e negativa: dez jogos consecutivos sem vencer nas fases a eliminar da principal competição de clubes da Europa. Um número redondo que contrasta fortemente com o passado glorioso do técnico português na mesma competição.
Quase 16 anos depois de ter conquistado a sua segunda Liga dos Campeões precisamente no Estádio Santiago Bernabéu, Mourinho viu um ciclo fechar-se no mesmo palco onde viveu um dos pontos mais altos da sua carreira. Em 2010, ao serviço do Inter de Milão, o treinador português ergueu o troféu mais cobiçado da Europa, consolidando a sua imagem de estratega implacável em noites decisivas.
Antes disso, já tinha saboreado o sucesso máximo com o FC Porto, em 2004, numa caminhada histórica que lançou definitivamente o seu nome para a elite do futebol mundial. Essas conquistas ajudaram a construir a aura do “Special One”, treinador de decisões, de jogos grandes e de eliminatórias superadas com mestria.
Contudo, o cenário atual é bem diferente. A última vez que José Mourinho teve verdadeiro sucesso nas eliminatórias da Champions foi em 2014, quando, na sua segunda passagem pelo Chelsea FC, eliminou o Paris Saint-Germain nos quartos-de-final. Desde então, passaram-se 12 anos sem que voltasse a celebrar uma vitória numa fase a eliminar da competição.
Na última noite europeia do Benfica, o registo negativo atingiu os dois dígitos. As águias até entraram melhor na partida e colocaram-se em vantagem graças a um golo de Rafa Silva, demonstrando personalidade e organização frente a um adversário habituado a este tipo de decisões.