Bruno Fernandes admitiu que esteve mesmo com um pé no Al Hilal no último verão, tendo optado por continuar no Manchester United apesar da abertura dos responsáveis ingleses em deixá-lo sair. Em entrevista ao Canal 11, no programa “Soltinhos pelo Mundo”, emitido na noite de segunda-feira, o internacional português abriu o livro sobre as conversações com o clube da Arábia Saudita, revelando alguma mágoa perante a vontade do United em permitir a venda.
“Não vejo pela questão do dinheiro. Sinceramente, não me posso queixar. Recebo muito bem. Obviamente a diferença é abismal, mas isso nunca me guiou. Se um dia tiver de jogar na Arábia, vou jogar mas não apenas pela questão financeira”, começou por dizer Bruno Fernandes.
“Pensei que a empatia e o carinho que tinha com o clube eram iguais. Mas essa empatia pode existir, mas chega a um ponto em que o dinheiro é mais importante do que tu. O clube queria que eu fosse [embora]. Disse isso aos diretores. Acho que não tiveram a coragem de tomar essa decisão porque o míster me queria. Se tivesse dito que queria sair, o clube tinha-me deixado ir”, disse, antes de confirmar ter conversado com Cristiano Ronaldo.“Aconselhou-me, falámos da questão da Arábia, ele que foi o grande criador de tudo isto na Arábia.
Até foi ele quem iniciou a conversa, porque sabia do interesse. Falámos um bocadinho do assunto, mas a decisão iria sempre passar por mim“, explicou o internacional português.Apesar dos contactos do Al Hilal, com Rúben Neves a servir de intermediário para o pontapé de saída nas conversas, o número 8 do Manchester United manteve-se firme na decisão de prosseguir a carreira em Old Trafford.
Lealdade já não é o que eraAinda sobre a postura adotada pelo Manchester United, Bruno Fernandes lamentou que a lealdade tenha deixado de ter o peso de outros tempos, recordando que também recusou sair no verão de 2024.“Hoje em dia, a questão da lealdade não é tão bem vista como antigamente. Podia ter saído neste mercado [de verão], e iria ganhar muito dinheiro, financeiramente era muito melhor para mim.
Há uma época também poderia sair, não vou dizer para onde, mas iria ganhar muitos troféus”, frisou, antes de concluir.“Decidi [ficar], não só pela decisão familiar – os meus filhos e a minha mulher estão bem cá -, mas pelo facto de gostar genuinamente do clube. A conversa que tive com o míster fez com que eu ficasse, mas da parte do clube senti: ‘Se fores, também não é assim tão mau para nós’.
Magoou-me um bocado, mas mais do que magoado deixou-me triste por ser um jogador que não têm nada a apontar“, rematou.Recorde-se que Bruno Fernandes encontra-se na sétima temporada ao serviço do Manchester United, depois de ter chegado a Inglaterra em janeiro de 2020, oriundo do Sporting e a troco de 65 milhões de euros.O internacional português, agora com 31 anos, depressa se afirmou em Old Trafford e é atualmente o capitão da equipa comandada pelo compatriota Ruben Amorim. Na presente época contabiliza cinco golos e sete assistências em 17 jogos disputados.