Juntar Rodrigo Mora e Gabri Veiga no mesmo onze do FC Porto parece ser um autêntico quebra-cabeças para Francesco Farioli. O treinador italiano deixou cair o estatuto de titular para o jovem português, desde que chegou à cidade Invicta, no último verão, mas pode ser obrigado a colocar um travão na sua própria teimosia, face ao talento dos dois jogadores.
A vitória no sábado, frente ao Sintrense (3-0), que valeu o acesso aos oitavos de final da Taça de Portugal, contou com um (belo) golo de Rodrigo Mora, após assistência de Gabri Veiga, num momento que se torna quase inédito com Farioli ao leme dos dragões.
Afinal de contas, e ao contrário do que sucedeu com Martín Anselmi, no Mundial de Clubes, que alinhou com ambos no onze, nos três jogos disputados nos Estados Unidos da América, o treinador italiano cedo mostrou não acreditar numa solução capaz de fazer coincidir Mora e Veiga na mesma equipa.
No entanto, Farioli pode estar perto de dar um passo atrás na sua ideologia e incluir ambos os jogadores na equipa inicial, sendo que o embate com o Nice poderá ser visto como o cenário ideal para testar a solução já utilizada pelo seu antecessor.
“Sim, é uma possibilidade. No final do dia, é sempre bom ter jogadores com qualidade juntos. Claro que jogar com dois números 10 – o Rodrigo um pouco mais, o Gabri mais como 8 ou 10 – exige muito sacrifício. Com três médios, na minha opinião, é muito importante ter o equilíbrio e o ajustamento correto entre eles, mas é, definitivamente, uma solução que temos de considerar. Foi bom ter alguns minutos para vê-los juntos, e isso é algo que pode acontecer novamente”, admitiu Farioli, em conferência de imprensa, de rescaldo ao triunfo na prova rainha.
Os dados do carrossel Mora-Veiga
Os números, de resto, espelham bem o pensamento de Farioli. Dos 17 jogos realizados até ao momento pelo FC Porto nesta temporada, apenas por cinco vezes Rodrigo Mora e Gabri Veiga estiveram em campo ao mesmo tempo. Em nenhuma delas ambos foram titulares.
Recuemos até finais de agosto. Na goleada imposta ao Casa Pia (4-0), Veiga foi titular e fez os 90 minutos, sendo que Rodrigo Mora entrou aos 58 minutos.
Seguiram-se os duelos com Nacional (1-0) e Rio Ave (3-0), com Farioli a promover a troca direta entre os dois jogadores. Contra os insulares, Mora foi titular, mas saiu aos 58 minutos, para dar o lugar a Veiga. Em Vila do Conde, sucedeu precisamente o inverso, mas exatamente no mesmo minuto.
Na visita à Áustria, para medir forças com o RB Salbzurgo (1-0), no arranque da fase de liga da Liga Europa, Veiga foi titular, mas saiu de campo ainda antes de Rodrigo Mora entrar na partida.
Seguiu-se um embate caseiro com o Estrela Vermelha (2-1), no qual Rodrigo Mora foi titular e marcou o golo da vitória. O jovem talentoso português coincidiu em campo com Gabri Veiga, que entrou aos 72 minutos.
Contra o Benfica (0-0), Farioli voltou a ‘separar’ Veiga e Mora, com o espanhol a sair aos 62 minutos, e o luso a entrar apenas em cima do apito final, no Dragão.
Na Taça de Portugal, na visita ao Celoricense, o técnico italiano voltou a promover a troca direta, novamente, aos 58 minutos: Veiga cedeu o lugar a Mora.
Na incursão até Inglaterra, na primeira derrota da temporada, ante o Nottingham Forest (0-2), Veiga e Mora foram suplentes utilizados, com o espanhol a ir a jogo aos 58 minutos, e o português apenas aos 84.
Nos embates mais recentes, diante de Moreirense (2-1), fora de casa, e Sporting de Braga (2-1), no Dragão, voltou a imperar a troca direta aos… 58 minutos. Veiga foi titular, em Moreira de Cónegos, Mora alinhou de início, contra os arsenalistas. Saíram antes da hora de jogo, para dar o lugar ao colega.
Em Vila Nova de Famalicão repetiu-se o mesmo cenário, com Rodrigo Mora a figurar no onze, mas com o tempo contado. Aos 58 minutos saiu para Farioli colocar Gabri Veiga em campo.
No último sábado, Veiga e Rodrigo Mora voltaram a partilhar, praticamente um mês depois, o campo e com resultados práticos. O ex-Villarreal foi titular e assistiu o jovem formado no Olival, que entrou aos 62 minutos, para o golo que fixou o resultado final frente ao Sintrense (3-0).
Terá sido suficiente para convencer Farioli? Só o tempo o dirá, mas a próxima quinta-feira, frente aos franceses do Nice, para a Liga Europa, pode tirar ajudar a dissipar algumas dúvidas.